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Caim e Abel - A Drástica Gênese do Livro Soledade

Foto do escritor: Mizpa
Mizpa
17 de mai. de 2022
14 min de leitura

Tudo começou quando o filho de um imigrante português, Dilberto Fragoso, nascido em quinze de fevereiro de 1933 (com idade relativa de 23 anos) escolheu passar estadia nos sítios de Mata Grande, por onde também se sugere que o mesmo tivesse sido convidado por um amigo, Álvaro Pinheiro de Souza, natural da região de Alagoas - e também seu futuro cunhado. A suposição de sua visita é que fosse em favor de negócios ou acertos pessoais entre ambos que já eram muito conhecidos; como também motivo de consulta com um médico distante - o que muito ocorria naquele tempo, devido distância ou dificuldades de deslocamento a serviços básicos. Foi numa tarde ensolarada que ao se encontrar com um de seus primos, conhecido por Zezinho - igualmente da parentela dos Pinheiro - foi citado em uma de suas conversas o nome de Irecêr Pinheiro de Souza, na época com vinte anos. O primo se dava ao luxo em falar como estava enamorado pela moça e havia certamente de conquistar sua mão. Mas também como era genérico numa roda entre rapazes, aos ares do cinismo, exibia sua prima como troféu de noivado, pois naquele mesmo dia estava pronto para se declarar. E dizia mais ninharias sobre a beleza da jovem e como seu corpo havia de parecer.

Embora aquela situação parecia esboçar uma obra da casualidade, onde num rito de mágica os pombinhos haviam se conhecido; já era dos planos pessoais de Dilberto visitar a casa da jovem Irecêr, e principalmente cabiam nos ideais de Álvaro, irmão mais velho - que já tinha previsto a possibilidade do casório entre os dois novos, livrando a donzela de um matrimônio forçado.

Fora dali não muito distante, Irecêr estava instalada na casa de uma parenta, por pouca noção de tempo, onde supunha esperar pela visita de seu irmão mais o seu recém chegado sócio. Ali ficaram eles até o cair da tarde, conversando próximo ao portão da casinha, saindo um pouco antes do seu primo Zezinho chegar. Com isso, um decidiu fazer companhia ao outro na volta de bonde para a residência da jovem, e durante a viagem ele a entregou uma foto sua de presente.


Dilberto Fragoso era filho dos portugueses natos, Acácio Augusto Fragoso e Maria de Lourdes Fragoso. Residia na precisa região de São Vicente, cidade de Santos na casa com seus pais. Era um galego alto de cabelos castanho-escuro com expressões finas e olhos castanhos com um curioso tom de verde água. No tempo em que conhecera sua futura esposa, havia também deixado o exército com uma extrema admiração por fardas e armas.


Já Irecêr Pinheiro de Souza era filha de José Timothio Pinheiro e Salustiana Maria da Conceição - ambos matagrandenses, era descendente de Freire e Quirino, alagoana nascida em quatorze de Junho de 1934. Era morena dos olhos escuros e cabelos crespos, tinha traços finíssimos com um rosto corado em forma de lua cheia, além do sorriso encantador. Caçula da família, também morava junto de seu pai. Sua mãe havia falecido de uma úlcera cancerígena no seio quando a mesma tinha seis anos de idade, a deixando órfã mais seus dois irmãos adolescentes.

Contradição: Uma outra versão da história afirmada pela própria, contava exatamente os mesmos detalhes, porém começando com o deslocamento dela para o litoral, a fim de realizar um tratamento contra otite. Mas a mesma versão mostra contradições, visto que Irecêr apontou uma estadia no rio de Janeiro, aproveitando a oportunidade para passar alguns dias na casa de uma prima. Nesta viagem, ela se deslocou num transporte conhecido por pau de arara, junto de algumas acompanhantes conhecidas, porém sem nenhum familiar próximo além da parenta carioca.

É possível que isto tenha ocorrido durante o seu noivado com Dilberto já confirmado, visto que havia a possibilidade de ambos se encontrarem pelo mesmo percurso de deslocamento até a fronteira de São Paulo com o Rio de Janeiro.

Esta história era contada pela mesma Irecêr Pinheiro que não muito tempo atrás, por infeliz infortúnio, uma doença de demência cerebral já lhe alcançava na base dos 70 anos, e precocemente aos quarenta anos de idade por motivo de instabilidade, estado pós traumático quanto a mudança brusca de realidade ou complicações com depressão pós parto.

EDUCAÇÃO

Para compreensão de todo o caso, é de mister tal aplicação no sentido de desenvolver melhor o rumo da narrativa até a sua missão dada por completa, aproveitando cada detalhe como necessário.

Comecemos principiante por Irecêr Pinheiro de Souza –


· Infância e adolescência.

Nasceu e cresceu em Alagoas até os seus vinte e poucos anos/seu casório , formada no ensino fundamental - conhecido ginásio em meados de 1930 ou antecedente disto. Estiveram presentes na sua infância e adolescência, suas duas tias: Joana e Ana Maria, que após a morte da sua mãe, seu pai tomou posse da casa de sua cunhada e viveu ali até após a morte da mesma. A única referência familiar da garota que por pouco não se arrependeu do seu casório com sentimento de culpa, logo após ter deixado sua casa de criação para viver o noivado perto de seu futuro esposo. Sua infância fora roubada cedo com o falecimento da mãe, aos seis anos, provocada por uma grave hemorragia seguida de um tumor no seio e uma arriscada amputação do mesmo.

Salustiana Maria da Conceição morrera por além de complicações com a infecção, desistência da vida, desgosto no casamento e contudo violência doméstica. Morava com seus dois irmãos mais velhos, sua mãe e seu pai no logradouro de salina natural convivendo com a presença de patos, galinhas e gados - as primeiras amizades da noviça. Apesar do calor materno vindo também de suas tias, sua educação fora recebida por parte extremamente rígida do lado paterno, impedida de concluir os estudos, de congregar comunidades religiosas, fora das constantes privações também sofria agressões físicas e psicológicas. Assim também como seus irmãos. José Timothio Pinheiro fazia parte da companhia de polícia na região, conhecida volante, dispondo de armas e facões que não eram constrangidos de apontarem para os próprios mulher e filhos, sendo utilizados como ferramentas de intimidação. Além deste armamento, eram usadas cintas, chicotes para montaria, aços e derivados. Isto tudo porque José Timothio além da violência gratuita, fazia de tudo para humilhar sua esposa através de traições dentro do próprio lar, e justamente por elas é que ia se tornando cada vez mais agressivo, promovendo momentos gradativamente caóticos. Um destes marcou o terrível episódio na mente de Irecêr, que ainda dependia de colo, com a morte do seu amado cachorro Peri.

Isto foi quando em uma das falsas acusações de suas amantes, que alegavam sobre o animal fazer muito agito. Timothio saíra desenfreado em direção ao mascote da família, disparando o revólver sem dar nuances. Isso dentre outras trágicas lembranças que tornaram-se fantasmagorias na mente da menina tão pequena, as lascívias do pai deram mais prejuízos, transmitindo doenças aos pequenos como problemas de cegueira no irmão mais velho, e problemas de pele como úlceras e feridas grotescas nas peles finas das duas meninas. O seu tratamento também era rígido e distante. Para cuidado das feridas - que surgiam com sua maioria nas pernas - as garotas eram obrigadas a andar quilômetros até uma maloca distante da vila, onde ali eram usados remédios ingrimes que provocavam dores terríveis. Ainda que, durante o caminho seu pai vinha as amaldiçoando por todo o percurso, ele montado a cavalo, já as meninas sendo espetadas por matos e sofrendo de insolação.

Certo dia passeando pelas redondezas do sítio, Salustiana cai com o seio justamente em cima de uma pedra, sofrendo a hemorragia, vindo a óbito não muito depois. Assim Irecêr e seus dois irmãos mais velhos ficaram aos cuidados de uma de suas tias maternas. Ainda sem descanso das durezas de seu pai.

Já Dilberto Fragoso também era custeado por seus pais, sem um trabalho próprio morava junto de sua mãe e irmã num ambiente familiar bastante deprimido com uma política de economia extremamente reguladora. O que fazia era ajudar diariamente seu pai numa companhia de eletricidade conhecida com requinte na baixada santista, mas sem remuneração. Ele havia auxiliado seu pai a programar maior parte das instalações dos trilhos elétricos de bonde na praia da Ana Costa. Apesar disto, o mesmo seguia com um regime obsessivo por gastos desnecessários, sendo capaz de reutilizar móveis apodrecidos e outras estratégias descabidas como até privar alimentos. Tudo em busca de eliminar gastos excessivos. Tanto que sugeriu (de modo imperativo) ao filho que ele e sua esposa fossem morar em sua casa, reutilizando os móveis do quarto dos pais incluindo cama e lençóis. Além de tudo que Acácio tinha problemas com álcool e todo o extremismo constante de vigilância geraram impotência psicológica no rapaz, fazendo-o desenvolver o mesmo problema crônico do pai. Aos dezoito anos, Dilberto Fragoso é enviado para o exército e ao decorrer dos primeiros anos do seu casamento em que foi obrigado a conviver com os seus pais, sua mãe aderiu hanseníase; só que diferentemente da lepra em comum causando dores insuportáveis, ela foi aos poucos perdendo os sentidos, sofrendo até mesmo confusão mental.


CASAMENTO

No dia catorze de maio de 1957 casam-se Irecêr Pinheiro de Souza (tornando-se Fragoso) e Dilberto Fragoso no registro civil da comarca de Santos na companhia de seus familiares e testemunhas. O casal teve de morar na casa dos pais de Dilberto enquanto ele não tivesse um emprego fixo, o que durou por volta de uma década durante o nascimento dos seus dois primeiros filhos debaixo de uma grande opressão e atritos familiares. No começo do seu noivado, o irmão mais velho de Irecêr havia a acompanhado de mudança para a rua Paraná em São Vicente, onde moravam seu noivo e seus sogros e no caminho da viagem, lhe aconselhava a não exigir, não pedir e não falar nada que contrariasse sua nova família. Como era de costume da sua criação assim foi até o fim do castigo das bodas de Estanho. De modo que, ela decidiu sequer opinar no seu vestido de noiva. Seu vestido de casamento fora escolhido por sua cunhada, os móveis do quarto do casal fora reutilizados de acordo ao pedido do sogro, e ele ainda sugeriu por imposição reutilizar uma cama apodrecida que guardava no quintal da casa. Foi daí que Dilberto replicou: "isso não."

Em seguida, já tendo Irecêr como esposa, propuseram um colchão de casal usado pelos pais de Dilberto para tirar proveito das economias restantes do enxoval de noivado, e Irecêr trouxe Dilberto para perto, saindo da presença de seus sogros, para lhe falar: "isso não." Fica um pouco claro e possível, apesar dele ter encorporado a imposição da esposa, que a sua primeira resposta relativa a cama do casal tivesse também vindo de Irecêr, pois ele não conseguia impor suas preferências mesmo já sendo um homem casado, o deixando nas barbas do pai até os seus quase trinta anos. Provavelmente foi o que também despertou uma certa ira na sua irmã mais nova, cunhada de Irecêr, a ver que o irmão tivesse certas liberdades - nada que saísse fora do comum - mas sabendo de sua real personalidade, conhecia que já eram influências da recém chegada.

Assim que trouxe sua noiva para a casa de seus pais, ele fez de tudo para conseguir ser recrutado em alguma área de serviço, porém por conta de um problema severo na visão mais o desvio ocular, em todos as suas consultas de oftalmologia no exame de refração para efetivação de trabalho, ele era reprovado.

Uma vez até, frustrado em meio a tantas reprovações e sem um futuro seguro para a sua família, Irecêr lembrou de uma receita que faziam entre os seus criados ainda em Mata Grande, quando tinham que lavar os olhos dos animais, utilizavam uma solução de água e sal para dilatação da pupila dos bovinos. Ela ofereceu a idéia que pareceu atraente e fizeram a tentativa; resultando por pouco numa cegueira em tempo limite. Os dois choraram apavorados. O terrível de tudo fora durante a convivência com os pais, que o vício em bebida ficava pior pelas constantes humilhações e na maneira como era custeado com descaso, limitando Dilberto mais ainda e o deixando passivo a situação. O que pouco mudaria, mas de qualquer forma tendo sua diferença, no nascimento do seu primeiro filho, deixando o ambiente mais flexível e com atenção diferenciada para uma cria tanto saudável na sua infância. Na data de nove de setembro de 1958, decidiram batizar o seu primeiro menino com o nome do seu genitor, tornando-se o Júnior da família.



MATERNIDADE


Dilberto Fragoso Júnior foi o primogênito do casal (dados da certidão de nascimento) tendo uma parcela da sua infância ao lado dos seus avós e tios. A seu respeito, para início de informações não existe muito, porém que é possível acompanhar seu crescimento e desenvolvimento a partir da escolaridade desde os seus sete anos, no nascimento do seu primeiro irmão. O conceito da sua indumentária tinha semelhança medieval e compostos de um vestuário delicado, além de que as roupas para meninos crianças tinham aspectos bufantes de infantaria, a combinar com os trejeitos do penteado como cachos e topetes tímidos. A lembrar também que junto dos costumes da década de 50 todos os seus movimentos na frente da família deviam-ser bem calculados e educados, como os de um fantoche. Dilberto Júnior recebia influência de educação também por parte dos seus avós, seu cotidiano era ser levado por seu pai até o trabalho da família e sair de lá até uma lanchonete da cidade, onde ele retinha uma vaga lembrança de seu avô o servindo com uma porção de batatas fritas.

Graças ao seu nascimento, o casal passou a ter algumas regalias, tornando assim também o ambiente mais descontraído, embora mesmo assim, Dilberto Júnior sofresse certas consequências da árdua educação que lhe impunham, fazendo-o assim um menino mais pensativo. Ele era de traços finos, tinha os olhos verdes claros e cabelos escuros, rosto de lua da cor branca com o tempo passando a ser pardo, tinha as expressões de seu tio por parte de mãe. Seus modos delicados o fizeram ganhar o apelido carinhoso de Betinho. Por conta dos seus hábitos mais retraídos e tímidos, logo ele se afeiçoou mais a sua mãe e com isso quebrando todas as expectativas que seu avô tinha sobre si - pois Irecêr era vista como uma mulher sem iniciativa e de atitudes rasas.

Nesse meio tempo casam-se a irmã mais nova de Dilberto com um gerente de firmas, chamado Reynaldo Rocha Jarró. Não muito depois eles concebem seu primeiro filho também Júnior. Nisso as humilhações contra Irecêr seguiam constantes, indo de alimentos racionados a prática excessiva de racismo e até xenofobia dado a sua origem nortista. Tanto que assim quando ela deu a luz a seu primeiro filho, fruto do seu casamento com Reinaldo Rocha, saiu a distribuir ameaças contra sua "rival" alegando que seu filho comia melhor e era bem tratado a mais do que ela mesma, sendo que agora com o nascimento do seu primogênito tudo mudaria.


Assim em dezoito de março de 1965 nasceu o segundo filho do casal, Dalmo Pinheiro Fragoso (certidão de nascimento). Também tendo uma parcela da infância na casa dos avós. A seu respeito para início de informações não existe muito, ou sequer informação sobre o seu acompanhamento escolar, porém sabe-se que ele foi o único a se formar no 1º e 2º grau de escolaridade sem complicações e que estudou no Instituto Educacional Estadual Fábio Barreto. Quando atingiu a idade mínima da infância, já se mostrava um garoto ativo e espontâneo, completamente o oposto de seu irmão mais velho. Era intrépido, confiante e acima de tudo sonhador. Gostava de mexer na caixa de ferramentas do seu pai e andava com elas por toda a parte da casa "consertando" rádios e relógios. Sua vestimenta de infância era forjada de adereços rústicos em estilo escoteiro, apesar de tudo preferia andar dispondo apenas de um shorts ou bermuda simples, pés descalços e peitoral a mostra. Seu nascimento e infância ocorreram junto com o casório de sua tia e por isso é testemunhado pelo cunhado do seu pai, que logo se encanta com o garotinho e o declara como futuro da família, principalmente diante do primogênito.

Fora os dois filhos, Irecêr passou por mais duas gravidezes as quais decidiu rejeitar, optando pelo aborto destas duas gerações, visto justamente que não teriam condições de suprir as necessidades de mais dois filhos, também pela repressiva dos familiares, ela resolve tratar do assunto com o marido que apoia a decisão sem hesitar.

Após diversas tentativas de Dilberto para ingressar num novo ramo de trabalho para sustento próprio, numa destas houve finalmente a resposta esperada de contratação na época, pela antiga empresa ALLEMOA

fundada em 1862 na cidade de Santos que trabalhava com locação de imóveis, também de fundadores portugueses. Eles haviam emitido uma carta como comprovante ao endereçado Dilberto Fragoso para dar início ao expediente na sua firma mais próxima. O telegrama acabou sendo entregue nas mãos da sua mãe onde, embora fosse uma pessoa passiva e de boa convivência com sua noiva, aconteceu dela não deixar de notar o renome da empresa que atualmente havia sido classificada numa coluna de jornal com grave antecedência por acidente em serviço. Por instinto materno de auto-proteçao, temendo a falta de habilidade do filho através do consumo de álcool, ela rasga a carta da assessoria sem pensar duas vezes. Tirando a única chance que o casal mais seus filhos tinham de sair dali.

Se não fosse por honra do seu cunhado intervir na situação, por amor e admiração também aos seus dois filhos, especialmente ao mais novo, vem lhe ceder de bom grado um cargo por indicação de gerência numa fazenda em alta da época, próximo a uma de suas propriedades em que morava com esposa e filhos entre Registro e Cajamar.

Então em doze de abril de 1969, nasce o terceiro fruto do casal, primeira e única menina da família entre os irmãos. Ana Lúcia Pinheiro Fragoso nasceu e cresceu durante seus quatro anos em Cajamar e seu primeiro ano de escolaridade começara aos seis anos em Registro assim que se mudaram para a fazenda de minério, onde Dilberto Júnior iria completar dezesseis e o irmão do meio nove anos. Suas pessoas mais próximas da família eram sua mãe e seu irmão do meio, Dalmo. Por conta do irmão mais velho sair diariamente com o pai; além destes, curiosamente sua terceira pessoa mais próxima era a sua tia (sim, a emblemática que contestava quase sempre contra Irecêr), mas isto porque, embora não tivesse sido planejado, seu nascimento veio a calhar para uma certa união entre ambas. Quando Irecêr estava para tomar a mesma atitude que tivera com seus outros dois frutos interrompidos, Daisy Fragoso tomou a iniciativa de aconselhá-la dizendo que poderia ser algo bom ter um outro filho, pensando justamente no desejo de terem uma "princesinha" na família. E foi como dito.

Enfim mudaram-se para fazenda de mineração precisamente em 72-73 onde seu cotidiano era passar por uma estrada de terra que desviava da rodovia (onde ficava o bairro do serrote) para um campo de mata virgem num terreno que contava com um espaço maior que 26.000 m² onde dividiam um casarão com mais de seis quartos e todos os cômodos bem espaçosos mais a área verde do local com cercados para os animais como búfalos, vacas, porcos, patos, galinhas, etc. A ambientação também dispunha do cuidado de criados e empregadas a disposição da família; lavavam, limpavam e preparavam a comida todos os dias.

Tudo indica que ele se mudaram para o sítio em 1972 ou 73, pois a idade base para estipular o tempo em que a família permaneceu no sítio foi de seis anos e meio - o tempo em que a filha menor do casal havia crescido dentro da pousada. Ali ambos os meninos tornaram-se rapazes - o mais velho permanece ali até seus dezoito anos e o irmão do meio até seus onze anos de idade.

A casa era rodeada por um corredor aberto, onde raramente, os búfalos quando se soltavam do cercado íam dar voltas em torno do casarão, e com isso Irecêr temia pelos filhos, decidindo colocar os dois meninos no mesmo quarto de frente para os aposentos do casal para qualquer possível emergência.

Considerações: Antes mesmo da oferta feita por seu cunhado, em dado momento Dilberto Fragoso consegue se mudar de lar - ainda que também custeado pelo seu pai - podia viver mais sua mulher e seus filhos numa repartição de esquina com quatro cômodos na rua Vicente de Carvalho. Assim que Dilberto Júnior é admitido no último ano do primário para o ginásio, por atraso de ensino, eles conseguem se mudar para Cajamar/ em Gato Preto - onde ficava um acampamento da Socal, antiga fábrica de celulose, uma das filiais de J.J Abdalla. onde o primogênito passa a estudar na Escolástica Rosa.

Em 1971-1973 quando é reprovado no seu primeiro ano ginasial (na época em que se estudava francês como língua fluente, houve a transição do idioma francês para o inglês) eles se mudam para a fazenda da mineração de fosforita, também antiga propriedade dos J.J Abdalla em Registro, por indicação de seu cunhado Reinaldo, quando Dilberto Júnior completava quinze anos e decide comemorar sua festa de aniversário (promovida pela sua tia junto de seus primos) na nova casa.


Não é um caso para se pensar muito, só que embora a data não acrescente tamanha relevância na narrativa, e ainda não tenhamos o motivo do incidente exposto nesta primeira parte, ela consta como um período genuíno de informações sobre como, quando e onde tudo começa a desabar.

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